Antigos, genuínos e deliciosos produtos de criação portuguesa

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Lenço tabaqueiro

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Antes de ir para o campo, e para as lides de mais uma jorna sob a torreira do sol, o homem nunca se esquecia de levar à cabeça o chapéu. Mas porque ainda assim o suor havia de se provar inevitável, enrolava à volta do pescoço um lenço de algodão, mais ou menos cuidadosamente dobrado (consoante houvesse pressa ou paciência) que ajudasse a manter o rosto seco. Como faziam os cowboys dos filmes americanos, que ele não via, mas invertido: a ponta para trás, o nó para a frente.

Outros haviam que o punham à cintura, preso ao cinto das calças, para ajudar a secar ou limpar as mãos, aquele lenço quadrangular que podia vir em cores diferentes mas se popularizou em vermelho (mesmo em terras do norte) porque é uma cor que também vai bem com tudo e tem a vantagem de dar sempre um toque de jovialidade. A toda a volta, as listas brancas e algumas pretas rematavam uma certa graciosidade, que o trabalhador, lá por ser rural, também não tinha que dispensar. Fosse ele lavrador ou cabreiro, destinado estivesse à ceifa ou à vindima. E talvez por isso tenha passado a integrar, até hoje, a fatiota dançável de diversos grupos de folclore.

Ainda durante o reinado de D. José I, corria o ano de 1774, instalou-se em Alcobaça aquela que viria a ser uma importante fábrica de "lenços, cambraias e fazendas brancas", e que havia de produzir este modelo, baptizado por isso "O Alcobaça". E foi fazendo moda de tal maneira que acabou mesmo por chegar à cidade, onde, sem cabras nem foices por perto, havia de ter outro uso. E, num piscar de olhos, foi adoptado pelos consumidores de rapé para limpar o pingo do nariz. Passou a chamar-se Lenço Tabaqueiro e ganhou direito a menção na literatura da época - do cocheiro com o lenço atado ao pescoço da Sibila de Agustina, ao tocador de bombo d' A Tragédia da Rua das Flores queiroziana, que deita o seu sobre o ombro, ou o abade d' Os Teles de Albergaria de Carlos Malheiro Dias, que o acena para ajudar à veemência da exclamação. Dele se socorreu também Raul Brandão na descrição de uma personagem: "Porque tudo nesse homem, a quem já em rapaz os amigos diziam ser do tempo dos lenços tabaqueiros, era radicado e com raízes tremendas no passado."

Das páginas dos livros para as prateleiras d' A Vida Portuguesa, o Lenço Tabaqueiro repete o furor. Continua perfeito nas utilizações costumeiras ou como guardanapo das mesas modernas - mas sempre na cor que o povo vivaz escolheu.

Material: Algodão e outras fibras.
Dimensões: 49 x 49 cm